Combustíveis em setembro: o que muda nos custos da sua empresa
O gasóleo normal vai subir 11,80 escudos por litro. Para uma empresa que consuma 1.000 litros por mês, isso representa mais 11.800 escudos de despesa, mantendo o mesmo consumo e considerando os preços máximos anunciados.
A Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) atualizou os preços máximos de venda ao consumidor final dos combustíveis, que entram em vigor às 00h00 de 1 de setembro e vigoram até 30 de setembro de 2026. A revisão traduz-se num aumento médio de 4,51%, segundo a entidade reguladora. O gás butano é a exceção, com uma ligeira redução de 0,21%.
Para as empresas, o impacto dependerá do combustível utilizado e do volume consumido. Conhecer a nova tabela é o primeiro passo para atualizar o orçamento, avaliar as margens e antecipar as necessidades de tesouraria de setembro.
Os novos preços máximos
O quadro da ARME apresenta os seguintes preços máximos arredondados:
| Produto | Unidade | Preço anterior (CVE) | Setembro de 2026 (CVE) | Variação |
|---|---|---|---|---|
| Gasolina | Litro | 168,10 | 175,40 | +4,34% |
| Gasóleo normal | Litro | 157,60 | 169,40 | +7,49% |
| Gasóleo para eletricidade | Litro | 143,10 | 154,80 | +8,18% |
| Gasóleo marinha | Litro | 125,00 | 135,20 | +8,16% |
| Petróleo | Litro | 181,10 | 189,00 | +4,36% |
| Fuelóleo 380 | Quilograma | 88,40 | 89,50 | +1,24% |
| Fuelóleo 180 | Quilograma | 95,20 | 97,60 | +2,52% |
| Butano a granel | Quilograma | 141,60 | 141,30 | −0,21% |
Nas embalagens de gás butano, os preços máximos passam a ser:
| Garrafa | Preço máximo (CVE) |
|---|---|
| 3 kg | 403 |
| 6 kg | 848 |
| 12,5 kg | 1.767 |
| 55 kg | 7.773 |
Fonte: ARME, quadro de preços máximos a vigorar de 1 a 30 de setembro de 2026. Os valores das embalagens correspondem aos preços finais arredondados publicados pela ARME.
O que explica esta atualização?
Na Nota Justificativa n.º 08/2026, de 31 de agosto, a ARME refere que a cotação média do petróleo Brent aumentou 4,45% em agosto, para 86,71 dólares por barril. As cotações internacionais dos derivados considerados na análise subiram, em média, 6,64% face a julho.
A entidade reguladora associa esta evolução a perturbações no abastecimento e nas rotas de exportação, bem como a tensões geopolíticas. Em sentido contrário, identifica fatores que atenuaram a subida, incluindo o aumento da quota de produção aprovado pela OPEP+ e a revisão em baixa das perspetivas para a procura mundial.
A apreciação de 0,97% do euro face ao dólar também contribuiu para amortecer o impacto das cotações internacionais nos preços nacionais.
Os preços de setembro incorporam ainda valores destinados à recuperação faseada de 30% do défice global apurado entre abril e junho de 2026, período em que esteve temporariamente suspensa a aplicação do mecanismo de fixação de preços. Segundo a nota da ARME, essa componente já está incluída nos preços anunciados.
Como traduzir a subida em decisões de gestão
A média de 4,51% não deve ser aplicada automaticamente ao orçamento de combustíveis da empresa. Uma operação que utilize sobretudo gasóleo normal terá uma exposição diferente de outra que dependa de gasolina ou de butano.
O cálculo deve partir do consumo previsto de cada produto e da diferença entre o preço anterior e o novo preço. No exemplo de uma empresa que utilize 1.000 litros de gasóleo normal por mês, a despesa aos preços máximos passará de 157.600 para 169.400 escudos. O acréscimo será de 11.800 escudos em setembro. Trata-se de uma simulação, mantendo o consumo constante, sem descontos e sem considerar o tratamento contabilístico ou fiscal da despesa.
Esta análise permite atuar em três frentes:
- Atualizar o orçamento e a tesouraria. Rever o valor previsto para abastecimentos e as datas de pagamento. Mesmo com atividade e consumo estáveis, a empresa poderá precisar de mais dinheiro disponível para suportar a operação.
- Reavaliar as margens por serviço ou produto. Identificar o peso efetivo do combustível em cada entrega, deslocação ou trabalho. Uma subida de 7,49% no gasóleo normal não significa que o custo total do serviço aumente na mesma proporção. Qualquer revisão de preços deve considerar esse peso, os restantes custos e as condições comerciais acordadas.
- Acompanhar o consumo operacional. Registar litros por viatura, quilómetro, equipamento ou serviço, conforme a atividade. Rever percursos, deslocações e manutenção pode ajudar a identificar desperdícios, com resultados que devem ser medidos.
Compras, operações, área comercial e gestão financeira devem trabalhar com os mesmos pressupostos. Assim, a atualização dos combustíveis pode ser refletida de forma coerente nos orçamentos apresentados aos clientes, no planeamento da atividade e nas previsões de caixa.
Preparar setembro com os números da sua empresa
O efeito desta atualização será diferente em cada negócio. A decisão começa por saber quanto se consome, onde esse consumo ocorre e que margem fica depois de suportados os custos.
Se pretende avaliar o impacto dos novos preços na sua operação, fale com a INOVE. Podemos apoiar a revisão da estrutura de custos, das margens e das previsões de tesouraria, para que as decisões de setembro partam dos números da sua empresa.
Fontes: ARME — «Novos preços máximos a vigorar de 1 a 30 de setembro de 2026»; «Nota justificativa n.º 08/2026 — Atualização dos preços dos produtos petrolíferos regulados — Setembro de 2026», datada de 31 de agosto de 2026, pp. 2–6. A análise empresarial e o exemplo de consumo são da INOVE.