Como as Câmaras de Comércio podem ajudar a sua empresa a crescer em Cabo Verde
Da formalização à internacionalização, a CCS e a CCB disponibilizam instrumentos que podem apoiar diferentes fases do desenvolvimento de uma empresa. A questão é saber quando e como utilizá-los.
Uma empresa não cresce apenas com um bom produto, clientes e financiamento.
Precisa também de informação, competências, parceiros, acesso a instituições, conhecimento dos mercados e capacidade para lidar com procedimentos que fazem parte da actividade empresarial.
É aqui que o ecossistema que rodeia a empresa se torna importante.
Em Cabo Verde, a Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) e a Câmara de Comércio de Barlavento (CCB) desempenham um papel relevante neste ecossistema. Para além da representação dos interesses do sector privado, disponibilizam serviços que podem apoiar empresas desde a formalização e capacitação até à criação de contactos comerciais e entrada em mercados externos.
Mas existe uma diferença importante entre ter estes instrumentos disponíveis e integrá-los numa estratégia empresarial.
Uma Câmara de Comércio é mais do que uma associação empresarial
É natural associar uma Câmara de Comércio à representação dos empresários.
Essa continua a ser uma das suas funções essenciais.
Ao agregar empresas, uma organização empresarial pode criar canais de diálogo com o Estado, municípios e outras instituições, acompanhar questões que afectam o ambiente de negócios e dar maior capacidade de representação a interesses que, individualmente, teriam menor expressão.
Mas a actuação das Câmaras de Comércio em Cabo Verde vai além desta dimensão.
A CCS, no Sotavento, e a CCB, no Barlavento, combinam a representação empresarial com diferentes serviços de apoio às empresas.
Entre eles encontram-se áreas como:
- licenciamento e formalização;
- informação e orientação empresarial;
- formação e capacitação;
- feiras e missões empresariais;
- networking e encontros de negócios;
- exportação e internacionalização;
- acesso a infra-estruturas e serviços;
- apoio ao empreendedorismo.
O resultado é uma rede que pode ser utilizada em diferentes momentos da vida de uma empresa.
1. Quando é necessário formalizar ou regularizar a actividade
Criar uma empresa é apenas o início.
Dependendo da actividade, podem existir licenças, autorizações, certificados e outros procedimentos necessários para operar, importar, exportar ou desenvolver determinadas actividades económicas.
Tanto a CCS como a CCB prestam serviços nesta área.
A CCS disponibiliza, entre outros, serviços relacionados com licenciamento comercial e aproxima ainda alguns serviços da Administração Pública às empresas através dos seus balcões.
A CCB disponibiliza apoio em diferentes processos de licenciamento, incluindo áreas relacionadas com importação, exportação, actividade industrial, comércio e outros procedimentos empresariais.
Para o empresário, o valor não está apenas na emissão ou tramitação de um documento.
Está também em reduzir a dispersão de informação e compreender melhor o percurso administrativo necessário para desenvolver determinada actividade.
E isso pode evitar atrasos e decisões tomadas sem conhecer previamente todos os requisitos envolvidos.
2. Quando a empresa precisa de desenvolver competências
O crescimento de uma organização depende também das pessoas que a integram.
Novas exigências de mercado, mudanças regulamentares, tecnologia e novas formas de trabalhar criam continuamente necessidades de aprendizagem.
A capacitação empresarial constitui, por isso, outra área de intervenção das duas Câmaras.
A CCS desenvolve acções de formação orientadas para as necessidades dos associados e do mercado.
A CCB possui igualmente uma oferta de formação profissional e soluções de aprendizagem digital, permitindo alargar o acesso à capacitação.
Contudo, enviar colaboradores para uma formação não deve ser um objectivo em si mesmo.
A pergunta de gestão deve ser outra:
Que competência está a impedir a empresa de executar melhor a sua estratégia?
Pode ser gestão financeira.
Pode ser vendas.
Pode ser liderança.
Pode ser tecnologia.
Pode ser conhecimento de determinado mercado.
Quando a necessidade está claramente identificada, a formação deixa de ser uma actividade isolada e passa a ser uma ferramenta de melhoria da organização.
3. Quando é necessário encontrar parceiros, clientes ou fornecedores
Nem todas as oportunidades aparecem através dos canais comerciais habituais.
Em mercados pequenos, as redes empresariais têm particular importância.
Feiras, encontros B2B, eventos empresariais e missões podem colocar uma empresa em contacto com:
- potenciais clientes;
- fornecedores;
- distribuidores;
- parceiros técnicos;
- investidores;
- outras empresas com interesses complementares.
A CCS promove feiras, missões e encontros empresariais.
A CCB desenvolve igualmente missões e agendas empresariais, incluindo contactos orientados para objectivos específicos das empresas participantes.
Mas participar num evento não significa automaticamente criar uma oportunidade comercial.
A preparação faz diferença.
Antes de uma missão ou encontro empresarial, a empresa deve conseguir responder claramente a algumas questões:
O que procuramos?
Que tipo de parceiro precisamos?
Que proposta de valor apresentamos?
Que mercados nos interessam?
Estamos preparados para responder caso surja uma oportunidade?
Sem essas respostas, o networking corre o risco de produzir contactos que nunca se transformam em relações de negócio.
4. Quando a empresa pretende entrar noutros mercados
Para muitas empresas cabo-verdianas, existe um momento em que o crescimento deixa de poder depender exclusivamente do mercado interno.
Internacionalizar, contudo, não significa apenas exportar.
Uma estratégia de internacionalização pode envolver:
- encontrar fornecedores internacionais;
- estabelecer acordos de distribuição;
- identificar parceiros;
- representar marcas;
- criar joint ventures;
- procurar clientes externos;
- explorar franchising;
- participar em cadeias de valor internacionais.
As duas Câmaras possuem instrumentos relacionados com esta área.
A CCS presta apoio à internacionalização e participa na organização de missões e contactos empresariais, além de apoiar procedimentos relacionados com a actividade exportadora.
A CCB trabalha igualmente com missões empresariais, prospecção de mercados e agendas de negócio orientadas para contactos com potenciais clientes, fornecedores e parceiros.
Estas redes podem reduzir uma das dificuldades iniciais da internacionalização: começar sem contactos e sem conhecimento suficiente do mercado de destino.
Mas a ligação institucional é apenas uma parte do processo.
Antes de procurar um novo mercado, a empresa deve avaliar se possui capacidade comercial, financeira, operacional e organizacional para responder ao crescimento que pretende gerar.
5. Quando uma ideia precisa de se transformar num negócio
As instituições empresariais também podem desempenhar um papel antes de a empresa estar consolidada.
No Barlavento, a Incubadora Multissetorial de São Vicente, desenvolvida pela CCB em parceria com a Pró-Empresa, constitui um exemplo desta dimensão.
A incubação pode apoiar promotores na estruturação da ideia, desenvolvimento do modelo de negócio, preparação do projecto e formalização da empresa.
Este tipo de apoio é relevante porque uma ideia e uma empresa não são a mesma coisa.
Entre ambas existem decisões sobre mercado, clientes, custos, receitas, operações, investimento, financiamento e organização.
Quanto mais cedo essas questões forem tratadas de forma estruturada, maior é a capacidade de o empreendedor perceber se está perante uma oportunidade que pode efectivamente ser transformada num negócio.
O verdadeiro valor está na combinação dos instrumentos
É aqui que surge uma perspectiva particularmente importante para a gestão.
Uma empresa não funciona em compartimentos independentes.
Uma decisão comercial pode exigir investimento.
Um investimento pode criar necessidades de financiamento.
O crescimento pode obrigar a rever processos.
Novos processos podem exigir tecnologia.
A tecnologia pode exigir novas competências.
A entrada num novo mercado pode obrigar a alterar logística, preços, equipa e controlo financeiro.
Por isso, também os instrumentos disponíveis no ecossistema empresarial devem ser vistos de forma integrada.
Imagine uma empresa que pretende começar a exportar.
Uma missão empresarial pode ajudá-la a encontrar potenciais compradores.
Mas antes disso poderá precisar de:
- avaliar o mercado;
- confirmar requisitos legais e administrativos;
- determinar preços e margens;
- verificar a capacidade produtiva;
- avaliar necessidades de financiamento;
- preparar a equipa comercial;
- organizar informação de gestão;
- adaptar processos internos.
A oportunidade externa é apenas uma peça do sistema.
Antes de procurar apoio, diagnostique a empresa
Esta talvez seja a principal diferença entre usar um serviço e usar estrategicamente o ecossistema empresarial.
Em vez de começar pela pergunta:
“Que apoios existem?”
pode ser mais útil começar por:
“O que está a limitar a próxima fase da minha empresa?”
Se o problema é conhecimento, procure capacitação.
Se é acesso ao mercado, procure redes comerciais.
Se é formalização, identifique os procedimentos necessários.
Se é crescimento externo, trabalhe a estratégia de internacionalização.
Se é financiamento, determine primeiro quanto precisa, para quê e em que condições o projecto é viável.
Se existem vários destes desafios em simultâneo, provavelmente não está perante um problema isolado, mas perante uma questão de gestão integrada da empresa.
CCS e CCB como parte do ecossistema empresarial
A Câmara de Comércio de Sotavento e a Câmara de Comércio de Barlavento têm âmbitos territoriais diferentes, mas desempenham funções complementares no desenvolvimento empresarial cabo-verdiano.
A CCS concentra a sua intervenção nas ilhas de Sotavento.
A CCB cobre o Barlavento.
Em ambas encontramos uma combinação de representação empresarial, serviços, capacitação, criação de redes e apoio à ligação das empresas a novos mercados.
Para o empresário, conhecer estas instituições significa conhecer melhor os recursos disponíveis fora das fronteiras da própria empresa.
E essa informação pode ter valor estratégico.
Crescer exige olhar para a empresa como um sistema
Nenhuma instituição externa substitui uma boa gestão.
Mas uma empresa também não precisa de desenvolver internamente todas as competências, contactos e recursos de que necessita.
O desafio está em perceber o que deve existir dentro da empresa e o que pode ser obtido através do ecossistema que a rodeia.
É essa articulação entre estratégia, pessoas, processos, mercado, tecnologia, conformidade e capital que transforma diferentes instrumentos num verdadeiro sistema de apoio ao crescimento.
As Câmaras de Comércio fazem parte desse sistema.
A oportunidade para cada empresa está em perceber quando, porquê e com que objectivo deve recorrer a elas.
A sua empresa está preparada para aproveitar estas oportunidades?
Participar numa missão empresarial, procurar novos mercados ou recorrer a instrumentos de apoio faz mais sentido quando existe clareza sobre a situação actual da empresa e sobre aquilo que se pretende alcançar.
Na INOVE – Consultores Empresariais, apoiamos empresas e investidores na análise integrada das diferentes dimensões do negócio — estratégia, gestão, finanças, contabilidade, fiscalidade, processos, sistemas de informação e investimento.
Se a sua empresa está a preparar uma nova fase de crescimento, expansão, reorganização ou internacionalização, o primeiro passo pode ser identificar as capacidades que já possui, as lacunas que precisa de resolver e os instrumentos do ecossistema que melhor respondem aos seus objectivos.
Porque uma oportunidade cria mais valor quando a empresa está preparada para a aproveitar.