Os temas da entrevista permitem determinar e selecionar com maior facilidade o candidato ideal. Os mais utilizados oferecem informação sobre:

O percurso do candidato – a nível pessoal, escolar e profissional. Para entender o candidato, é fundamental conhecer o seu percurso a estes níveis, detectar incoerências, lacunas, os ritmos de progressão, aquilo que o exalta e aquilo de que não quer falar, as decisões e opções que foi tomando, os porquês e as consequências. Este é geralmente um tema que vem bem estudado pelo seu interlocutor, que procurará adaptar as suas perguntas à lição preparada podendo assim omitir informações pertinentes. Cabe ao entrevistador contrariar esta tendência, interrompendo-o com perguntas concretas, obrigando-o a precisar elementos que ele desejaria omitir, a quantificar dados, lembrar datas ou a centrar-se em factos;

As funções desempenhadas – que nos indica as suas competências profissionais e informa sobre a sua personalidade. É um tema indispensável para obter a maior parte das informações sobre as competências profissionais do candidato e porque nos faculta uma multiplicidade de indícios sobre a sua personalidade. É uma ocasião oportuna para canalizar o candidato a relatar factos, através de perguntas abertas, geralmente iniciadas por quê, quem, como, onde, quando. Perguntas como: “Descreva-me o seu dia de trabalho, esquematize-me o projecto que está a desenvolver, como resolveu o conflito da distribuição das férias?” permitem-lhe perceber se o candidato realmente fez o que diz;

As empresas anteriores – Falar das empresas onde o candidato já trabalhou ou trabalha, das suas estruturas orgânicas, do seu posicionamento no organograma é um tema que permite clarificar as responsabilidades assumidas e o nível hierárquico em que se posicionou. Se for chefe de vendas e se intitular Director Comercial, que cargo vai colocar na caixa do organograma que superintende a sua actividade? Ao descrever as empresas, torna-se possível aferir o tipo de empresa com a qual o candidato mais se identifica e perceber como se integrará na empresa a que se candidata;

As relações de e com a chefia – este tema permite entender como o candidato exercerá as funções de chefia ou como reagirá ao tipo de chefia que poderá encontrar. Aqui, o discurso deverá incidir nas próprias experiências como chefia ou chefiado, do que num discurso de registo abstracto/superficial. Como organizou determinada acção, viagem, evento, projecto, como coordenou, quais as dificuldades e como as ultrapassou, qual o impacto dos colegas na realização dessas tarefas;

As motivações – este tema pretende descobrir que fatores movem o interlocutor para se candidatar aquela empresa e aquele cargo. “Porque se candidatou a este emprego?”, é uma pergunta inevitável. A partir desta, uma sequência de outras se seguem para precisar qual o projecto profissional do candidato e perceber se este se enquadra nos objetivos da função e do perfil pretendido. Há motivações socialmente correctas, que ficam bem a quem as veicula, e outras que são desagradáveis de assumir ou mesmo vergonhosas. Há que saber distinguir as motivações que o candidato assume e as que evita. Será fácil dizer que pretende atingir maior realização profissional e alargar as suas responsabilidades, mas pode ser difícil assumir que o seu objectivo é ganhar mais ou ter um horário mais reduzido;

Reviver emoções – Quando o candidato revive os conteúdos emocionais estes tendem a fazê-lo experimentar as mesmas emoções, sendo por isso possível obter informação rica sobre a sua personalidade e prever reações do interlocutor em determinadas circunstâncias;

Os conteúdos abstractos – estes são o refúgio do candidato. Contar a sua história de forma sintetizada, pintando-a de cor-de-rosa, é fácil. O candidato poderá evitar falar de dados concretos. Por exemplo: “Tive uma infância feliz, estudei como os outros, procurei o meu primeiro emprego com x anos, desenvolvi n actividades”. Este tipo de discurso é pouco comprometedor, competindo ao entrevistador direcioná-lo para factos, para um discurso concreto, como “qual a profissão dos pais (podendo determinar aqui a classe social), que notas teve? Foi sempre bom aluno? Quais as disciplinas mais fracas e o que fez para passar? O que aconteceu no primeiro emprego?” estas descrições e a forma como são descritas falam mais do candidato do que a apresentação por este feita inicialmente;

Os pontos fortes e pontos fracos – como regra geral se tornou numa questão comum em entrevistas, o candidato poderá trazer as respostas prontas, previamente decoradas. Para o evitar, aborde o tema ao longo da entrevista, aproveite os relatos do candidato para saber quais os aspectos mais negativos e positivos que este evidencia. Perguntar quais os reparos e elogios que costuma ouvir de familiares e amigos, chefias e colegas ou, por exemplo, pedir-lhe para falar sobre os pontos fortes e fracos que tem em relação às tarefas a desempenhar pela função a que se candidata, são formas alternativas de obter respostas à mesma questão;

As actividades extra profissionais – é um tema que poderá conter aspectos importantes sobre a personalidade do candidato. A quantidade e qualidade dos hobbies podem representar uma vida preenchida, uma pessoa com iniciativa, actividade, capacidade de desempenho, assim como o nível de responsabilidades que é capaz de assumir; Conhecer a empresa e a função – dar a conhecer os direitos, deveres, remuneração, contrapartidas e todos os pormenores essenciais ao seu eventual dia-a-dia na nova função, é essencial para que o candidato manifeste se está verdadeiramente interessado ou não pela vaga em aberto. As expressões, palavras e comportamento, permitirão ao entrevistador avaliar a possibilidade de o integrar ou não na empresa (caso tenha o perfil adequado e demonstre interesse, ou não) ou de negociar a sua integração (caso tenha o perfil adequado mas a oferta da empresa não responde às suas expectativas).

A abordagem aos temas, durante a entrevista, não obedece a qualquer sequência ou ordem pré- definida. Ela deverá surgir com o evoluir do diálogo, será determinada pelas respostas do interlocutor e pela necessidade de recolher elementos relativos ao perfil da função, objectivo que deve ter sempre presente.

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